As Últimas Palavras

As últimas palavras na carta inacabada, ainda presa entre os dentes vorazes da máquina de escrever que consumiu minha vida, formavam o mistério final da minha total destruição.

Claramente desconexas, com pobreza verbal sem sentido aparente, eram apelos pela atenção que minha vida nunca teve e tentavam dizer a verdade sem compreender sua própria insignificância. Palavras que tentavam existir, como tentei desde minha concepção.

Morri hoje em silêncio. Morri como há muito tempo morrera minha voz. Morri enfim, escrevendo. Me desconstruindo em palavras, me descobrindo, me descrevendo, me desmentindo. Morri para você, para o mundo e para mim. Morri em texto. Entre duas linhas, no fim do meu parágrafo. Morri quando o assunto acabou e o sentido sumiu.

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