Além do Sexto Estágio

Escrito em primeira-pessoa e com uma perspectiva bastante afetada pelo universo da história, o Sexto Estágio transporta os leitores para uma jornada através de emoções cruas. O livro não é maniqueísta, não se propõe a julgar ou guiar o leitor, apenas abre portas e feridas com ritmo acelerado e narrativa objetiva. Ele é uma experiência emocional definida como “um ensaio sobre escolhas erradas”.

Ainda é muito difícil escrever sobre o luto. 

O meu livro está publicado, está nas livrarias do país todo. Recebo feedbacks constantes nas redes sociais e converso sobre o assunto com amigos, com pessoas que nunca encontrei, com leitores e até concedi entrevistas sobre o tema, mas acho que precisaria de mais quatrocentas páginas para colocar para fora tudo o que sinto quando penso nisso.

Luto não é um caminho, tampouco uma experiência. Ninguém sente igual, ninguém passa por ele da mesma forma. A própria literatura sobre o assunto não é feita para leigos. Os cinco estágios do luto, segundo a psicologia, são organizados para que os profissionais possam identificar características comportamentais e desenvolver um melhor diagnóstico emocional de seus pacientes. 

Ainda assim, escrevi sobre um sexto estágio.

O EXISTENCIALISMO E O LUTO

A psicologia diz que existem cinco estágios para o luto:

  • Negação e Isolamento;
  • Raiva;
  • Negociação e diálogo;
  • Depressão;
  • Aceitação.

O Sexto Estágio é uma obra que investiga cada um desses momentos através de uma narrativa emocional, humana e existencialista. 

Da mesma maneira que o livro é construído com base em uma cadeia de sentimentos individuais, ações e suas consequências, gerando um ciclo espiral e decadente, onde todos estão conectados, ele demonstra que precisamos evitar ser levianos. Não é fácil se colocar no lugar do próximo. São infinitas as cordas do destino que sustentam cada segundo de nossas vidas e o máximo que podemos enxergar são reflexos do outro em fragmentos de nós mesmos.

“Não devo perguntar o que fizeram de mim, e sim o que vou fazer com o que fizeram de mim.”

Existencialismo é uma corrente filosófica e literária que destaca a liberdade individual, a responsabilidade e a subjetividade. O existencialismo considera cada homem com um ser único que é mestre dos seus atos e do seu destino.

O existencialismo afirma o primado da existência sobre a essência, segundo a célebre definição de Sartre: “A existência precede a essência.” Essa definição funda a liberdade e a responsabilidade do homem, visto que esse existe sem que seu ser seja definido de maneira alguma. 

Creio que a palavra que mais marcou o processo criativo de O Sexto Estágio seja: “empatia”. Essa também é a palavra que representa uma nova forma de ver a vida, minhas relações e o mundo ao meu redor. A verdade é que nunca sabemos a profundidade dos desafios ou das perdas de cada um, sendo que muitas vezes os que mais sofrem são também os que mais escondem suas dores.

O livro aborda um período muito difícil da minha vida. Lidei com o luto pela morte do meu pai e com perdas pessoais ao mesmo tempo. Acredito que sempre me coloquei em segundo plano para fazer o que achava que “era certo”, me sacrifiquei muitas vezes por isso. O livro foi uma forma de ver o mesmo cenário por outros ângulos, entender outros caminhos e fazer escolhas diferentes. Não foi um processo fácil e costumava encerrar cada capítulo apenas quando me sentia destruído por ele. Acredito que, apesar das doses de ficção, essa foi uma experiência muito sincera e crua, que me colocou frente a frente com meus conflitos e me obrigou a superá-los em palavras, a cada parágrafo, a cada página. Foram muitas delas, muitas lágrimas também.

“O homem está condenado a ser livre.”, afirmou Sartre, referindo-se ao fato do homem estar sem nenhum apoio extra-mundo, ou transcendental, e indicando que homem deve construir sua liberdade contando apenas com suas próprias forças e racionalidade, a partir da consciência que tem de si mesmo.

A FUGA DO MANIQUEÍSMO

Existe uma confusão natural entre as dualidades “Bem ou Mal” e “Certo ou Errado” e ambos os conflitos acabam caindo dentro da discussão do maniqueísmo, a filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Maniqueu, filósofo cristão do século III, que divide o mundo simplesmente entre Deus ou Diabo. De acordo com esse pensamento, a matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal. 

Para escrever essa experiência, baseada em luto e perdas, busquei me afastar o máximo possível de qualquer julgamento de caráter ou valor, entendendo que os seres humanos são criaturas instáveis, sensíveis e com sentimentos complexos. Foi um exercício revelador, porém desgastante, de abdicar de minhas próprias perspectivas e convicções para mergulhar em diferentes situações emocionais, de forma a criar simulacros sentimentais que pudessem construir minhas personagens de dentro para fora.

“Para enxergar o outro, é preciso nos despir de dualidades e de julgamentos. Basta o respeito.”

Escrevi a frase acima em 2012 e essas palavras, que passaram anos perdidas entre meus arquivos, acabaram por se tornar a gênese do livro O Sexto Estágio. 

O SEXTO ESTÁGIO

Na época era difícil relacionar os problemas profissionais e pessoais com o luto recente, mas alguns pequenos relatos, textos desconexos e questionamentos, que escrevia em meus momentos de dor ou tédio, acabaram por documentar sentimentos reais e constantes, que anos mais tarde entendi como um mapa de meu luto. É uma realidade paralela.

Acho que essa é a força do livro para minha própria história. Gosto de avaliar essa perspectiva. É visceral, cruel, fria. Fui realista e evitei maniqueísmos, realmente acredito nas palavras que estão no papel e julgo que poderia ter cedido à esses impulsos de autodestruição.

HomeroDetalhe é:

Apenas o luto te ensina que toda vida precisa de um fim para ser completa.

 

Você pode saber mais sobre o livro, além de encontrar o link para comprar em diversas livrarias, no site:

osextoestagio.com 

Leave a comment