Democracia Em Vertigem

Um alerta em tempos de democracia em crise, o documentário Democracia em Vertigem combina o pessoal e o político para explorar um dos momentos mais dramáticos e turbulentos da História do Brasil. Com amplo acesso aos presidentes Lula, Dilma e Bolsonaro, Petra Costa (Elena, 2012) também revisita a complexa trajetória de sua família para tentar entender o país rachado em que se encontra.

[Netflix, Brasil, documentário, 121 minutos]

A imagem de dois Brasis — um vestido de verde e amarelo e outro de vermelho — que o filme exibe nas vésperas da votação do impeachment, separados por grades de contenção em Brasília, vem se repetindo nas redes sociais, colunas de jornais e outros tipos de manifestações públicas. Por um lado, artistas e figuras públicas da esquerda — sobretudo a petista — se veem representados pela narrativa da diretora sobre todo o processo: a de que o PT, depois de 13 anos no poder, durante os quais se aliou com antigos figurões da política e viu alguns de seus principiais membros envolvidos em corrupção, agora era tirado do poder por uma elite econômica que reagiu à ascensão social das camadas mais pobres nas últimas décadas com o objetivo de manter seus privilégios; e por uma elite política, encarnada sobretudo na figura do ex-todo-poderoso presidente Câmara Eduardo Cunha, ainda mais corrupta que age de acordo com os interesses dos mais abastados. E tudo isso em nome do combate à corrupção.

Para além do processo de impeachment em si, o filme reforça a ideia de que a centro-direita acabou pavimentando o caminho para a eleição do ultradireitista Jair Bolsonaro, visto como uma ameaça para a democracia.

Nesse cenário, porém, existe algo muito especial, a câmera de Petra atravessa paredes importantes e se transforma em testemunha da história, registrando bastidores do poder que jamais foram tão claramente exibidos. Há muito o que absorver em conversas políticas e fragmentos das experiências humanas vividas, especialmente, pela cúpula do PT. Mas há também a vertigem. A queda para os indivíduos e para as instituições.

HomeroDetalhe é:

O filme de Petra Costa é um milagre, não apenas como experiência sine qua non para reconhecimento do golpe contra Dilma Rousseff, mas também como um alerta supranacional e sensível, porém urgente, da perversão nas entranhas da democracia.

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