O Último Agora

Vejo com desgosto

Os erros da minha vida

enrugados em meu rosto

O tempo me devora

até o ontem mais distante

é o último agora

 

Eu roubei a leveza

das asas de uma borboleta

Ainda sinto a seda

escorrendo dos meus dedos,

O pesar e o medo

Do pó ao pó, ela nunca mais voou

Do pó ao pó, que o vento levou

Eu perdi minha beleza

nas lágrimas de uma borboleta

 

Não é minha cara

que eu vejo nos espelhos

Não é minha voz

que sussurra devaneios

É o meu fim

o maior dos meus anseios

 

Se hoje estou aqui

amanhã não vou estar

Um dia para sorrir

Outro pra chorar

Seu beijo, amor

Nunca mais vai me beijar

 

O brilho fica escuro

Tudo se transforma

No caixão ou no casulo

O tempo me devora

até o ontem mais distante

é o último agora

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