Eu, o fim.

Eu costumo descrever a vida como: “Uma experiência humana singular e subjetiva.”

Por algum motivo, ou alguma desconexão, jamais me enxerguei como parte do “todo”, mas vejo todos como unidades cintilantes de suas próprias existências.

Isso desligou em mim o julgamento, sobre mim ou sobre os outros. Aprendi a me apaixonar pelo caos, o de dentro e o de fora. Tudo muda e tudo se transforma, constantemente. No lugar de tentar manter o controle, prefiro manter a curiosidade.

É um olhar um pouco infantil, mas aprendo muito com ele. Me mantenho no presente, mesmo quando projeto o futuro, pois jamais me apego ao incerto. Me mantenho no presente, mesmo quando relembro o passado, pois considero tudo uma grande jornada.

Encontrei muita sanidade na completa incerteza. Não existem respostas aqui, pois não existe a necessidade de fazer perguntas. Eu troquei isso por uma sensibilidade íntima, quase como o instinto de um lobo, meu animal espiritual, existe responsabilidade com os meus, com os iguais, com os sistemas ao meu redor e com uma percepção intimista de evolução.

É difícil explicar. Afinal, minha vida também é essa experiência humana singular e subjetiva. Minhas dores, minhas mortes, meus renascimentos e transformações estão aqui dentro como anéis em um carvalho velho que também desenha as rugas da minha face. Tem idade, vivência, sobrevivência e resiliência nas palavras serenas que elenco nesse texto.

Hoje, no ápice da minha honestidade intelectual, enxergo beleza em tudo. Até mesmo no fim de tudo, pois uma vida precisa de um fim para ser completa.

HomeroDetalhe é:

Eu respiro. Me basta. Apesar de nunca bastar. Assim eu me enxergo. Sou um momento de existência, do pó ao pó. Me apaixonei por minha invisibilidade. Sem máscaras. Apenas uma finita consciência.

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